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Uma exposição, uma jornalista e um jardim…

Pour ma sofie… celebrando o seu centenário…uma exposição…

Fiquei com interesse em visitar esta exposição patente na Galeria de Biodiversidade.. descobri-a quando lia uns artigos da Laurinda Alves , que gosto e me identifico em algumas opiniões, aqui ficam as suas palavras … uma jornalista…

“A URGÊNCIA DE ESCREVER DE SOPHIA Inaugurou esta sexta-feira no Porto, no Museu da Biodiversidade (antiga Casa Andresen, a casa de família de Sophia), a exposição de fotografias de livros de Sophia com dedicatórias que outros escritores, poetas, artistas, amigos, conhecidos e desconhecidos lhe escreveram. As fotografias luminosas e poéticas são de Oxana Ianin, que também criou uma bela instalação harmónica das capas dos livros e recolheu num quadro a palavra mais repetida por todos os que dedicaram as suas palavras a Sophia: admiração. A exposição é cheia de beleza, novidade, sentido e descoberta. Comove conhecer a casa onde Sophia morou com os seus pais e poder revisitar o admirável espaço da casa e jardim, agora povoado da sua escrita nas margens dos livros que lia e lhe foram dedicados ao longo da vida. Como diz o Martim, neto mais novo, curador desta exposição e de toda a programação que neste espaço vai celebrar Sophia ao longo do ano do seu centenário, Sophia escreveu alguns dos seus poemas em livros de outros, nas páginas em branco ou nas contra-capas, mas também fazia anotações nas margens porque sentia urgência de escrever. “

Páginas personalizadas como capas de livros

O Botãnico , lindo em dia de sol… um Jardim…

O Museu de História Natural e da Ciência da U. Porto,

E escreve a Laurinda Alves…

 OBRIGADA, SOPHIA Leio tudo o que agora começa a ser escrito sobre Sophia e lembro-me dela em casa, porque tive a felicidade de a conhecer e ser família durante 17 anos. E ouço o eco da sua voz, escuto os seus passos curtos e firmes no corredor, sinto a sua presença pelo cheiro do seu perfume, e contemplo, como já contemplava na sua presença, as suas mãos de dedos compridos e finos, muito elegantes, com o seu anel de três pedras encarnadas-escuras, propositadamente largo para lhe dançar no dedo. Volto em pensamento a esses tempos. Consigo ouvir o rumor vegetal dos ciprestes do seu jardim, atravessados pelo vento quente das tardes de Verão e vejo-a sentada na sala, na sua mesa de escrever encostada à janela, a janela da fotografia que muitos conhecem, a pensar e a fumar demoradamente, bebendo um chá que vai esfriando. Também a vejo caminhar em silêncio ou a andar muito depressa, com passos sincopados, quando estava atrasada e era preciso chegar a horas a algum lugar. Guardo memórias antigas que permanecem frescas e nítidas como se tivéssemos estado juntas esta manhã. Uma vez resgatou a vida e a esperança de alguém muito querido da nossa família, com um telefonema certeiro para o único médico que podia chegar a horas de o salvar. E salvou. Meses mais tarde, quando lhe quisemos agradecer o gesto num jantar em que, finalmente, estávamos todos outra vez sentados à volta da mesa, inteiramente recuperados, ela sorriu e encolheu ligeiramente os ombros com pudor. Como se não tivesse feito nada de especial. Nessa noite, à saída do jantar, atravessou o longo corredor de madeira com uma braçada enorme de tulipas encarnadas que lhe oferecemos. Imagem linda, inesquecível. Parecia uma diva. Belíssima, elegantíssima, levíssima, alegríssima. (…)

Deve ter sido mesmo marcante essa passagem de Sophia pelas vidas de muita gente…

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